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sábado, 23 de dezembro de 2006

Som Analógico

O som é normalmente associado a um trem de ondas longitudinais mecânicas de pressão (Nicolau e Toledo, 1998). Significa dizer que são ondas que vibram na mesma direção de sua propagação. Estas vibrações dizem respeito às moléculas do meio, pois o som para se propagar precisa de um suporte. Uma explosão, um pico de som desagradável é considerado ruído, quando o som é produzido por uma fonte de vibração periódica, tal como um instrumento musical ou uma caixa de som, pode ser considerado musical. (É importante notar que uma bomba dágua ligada emite som periodicamente, mas é desagradável, portanto uma fonte ruidosa. O som da chuva é ruído branco característico, mas sempre inspirou poetas que quiseram escuta-lo. Aqui neste trabalho, portanto, segue-se um certo pragmatismo ruído é uma coleção de ondas desorganizada, anarmônicas. O som musical é o som harmônico, resultado de um trem de ondas organizado).

É importante entender minimamente o funcionamento do instrumento último de detecção sonora de maior interesse: o ouvido humano (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ouvido). As ondas sonoras entram no duto auditivo e impressionam mecanicamente um sistema de ossos, humores, cartilagens e músculos. Estas vibrações são transformadas em pulso elétrico e transmitidas ao cérebro. As impressões de som são processadas pelo cérebro e finalmente postas em cheque pela subjetividade de quem o recebe.
O ouvido humano médio registra sons entre 20 hz e 20.000 hz. Sons abaixo de 20 hz são denominados infra-sons e acima de 20.000 hz ultra-sons. Outra qualidade importante a se notar também é que a velocidade de propagação do som depende da rigidez do meio em que ele se propaga, portanto o som se propaga mais rapidamente em sólidos, líquidos e gases, nesta ordem (Por exemplo, a velocidade do ar a 15°C em diferentes materiais: Ferro 5130 m/s, Água 1450 m/s e ar 340 m/s, o projeto de uma sala de exibição tem de atentar além dos materiais utilizados, a temperatura e a umidade relativa do ar para ter um controle sobre a qualidade do som em seu interior).

Qualidades fisiológicas do som:

São três as qualidades fisiológicas do som que mais interessam na relação entre a arte e a audiência: altura, intensidade e timbre.
A altura é a qualidade que distingue os sons graves e agudos. Está relacionada com a freqüência sonora, quanto mais baixa, mais grave, quanto mais alta, mais aguda. Os tons médios são relacionados com a voz humana. A voz masculina tem entre 100 e 200 hz e a voz feminina entre 200Hz e 400 hz. Os sons mais agudos em uma banda, por exemplo, vem dos pratos e os mais graves dos bumbos e tímpanos. Ainda sobre altura, vale aqui definir outra medida relacionada a esta grandeza. O intervalo entre dois sons é a razão entre suas freqüências. Quando o intervalo é dois, ele define uma oitava, quando ele é um ele é dito uníssono.

A intensidade sonora permite classificar a altura do som, se forte ou se fraco. Esta por sua vez se divide em intensidade física e fisiológica. A intensidade física está ligada a energia transportada pela frente de onda sonora. Uma intensidade de interesse é a necessária para “imprimir” em um ouvido médio, ou seja, existe um valor limiar inferior o qual o sistema auditivo não registra nada. A intensidade fisiológica é medida em decibéis (dB). Definida a partir de uma relação (IF= log (I/I0)) onde I e I0 são respectivamente a intensidade física a ser analisada e a intensidade inferior de impressão sonora (aproximadamente 10-12 W/m2). A intensidade do som de um piano depende da força com que o pianista toca. A curva de intensidade sonora é uma curva de saturação, alguns valores médios característicos de som ambiente podem servir para uma melhor compreensão: o som em uma igreja do interior de madrugada é em torno de 20 dB, o som de uma conversa em torno de 50 dB, o som de tráfego entre 70 e 90 dB, uma britadeira em torno de 100 dB, uma pista de dança 110 dB e a turbina de um jato 140 dB. Pesquisas recentes confirmam que a exposição cotidiana a um espectro sonoro de fundo em ambientes em torno de 80 dB causam problemas tanto físicos quanto psicológicos sérios. A exposição a sons de 120 dB já transforma a sensação auditiva em dor.

A última qualidade sonora é o timbre, qualidade que permite a distinção de mesmos sons provenientes de diferentes fontes sonoras. O timbre é a grandeza que diferencia um Stradivarius de um violino Hering. Esta distinção é devido ao fato de que na realidade o som de um instrumento musical ou caixa acústica é na realidade, resultado de uma superposição de várias vibrações. Voltando ao exemplo de um violino, tudo influencia, as madeiras, o arco, as cordas tudo contribui para uma melhor completeza sonora.

O trabalho de um luthier (artesão que produz instrumentos musicais de qualidade), um fabricante de caixas acústicas, um arquiteto ou engenheiro de som está em reconhecer os harmônicos e ressaltá-los ou anulá-los de acordo com o que se quer. A forma de uma sala determina a qualidade e a quantidade necessária de potência sonora para realizar uma boa impressão sonora.

A imagem sonora é a capacidade de se reconhecer a distribuição espacial das fontes sonoras. Para isto ocorrer tanto à captação, quanto à recepção devem viabilizar tal intento. Em uma concha acústica os instrumentos são dispostos de tal forma que a audiência perceba isto. Cordas de um lado, madeiras e metais de outro, ao fundo a percussão e a frente o solista. Perceber isto só é possível devido à utilização de mais de um microfone mono ou de um microfone estéreo. A reprodução desta gravação reproduzirá esta imagem sonora, caso respeite distância e distribuição de caixas acústicas de qualidade de altura, intensidade e timbre.

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